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Passado
e presente em diálogo
Programação do fim de semana teve de violoncelo
barroco a obras do século 20
João Luiz Sampaio, Campos do Jordão
Estado de São Paulo - Segunda-Feira, 13 de Julho de 2009
Tarde de sexta-feira, um grupo de jovens compositores, entre 25
e 32 anos, debruça-se sobre um amontoado de partituras,
observados pelo professor Stefano Gervasoni. Estão terminando,
ele explica, de passar para o papel as obras que criaram para
a edição deste ano do Festival de Inverno. Na sala
ao lado, os jovens são alunos de regência. Na quinta,
revezaram-se à frente do Grupo de Câmara e, agora,
assistem ao vídeo do ensaio, acompanhados pelo maestro
francês Guillaume Bourgogne. Gestos, expressões,
ênfases, nada passa despercebido. E, com a partitura do
Settimino de Villa-Lobos nas mãos, fazem ajustes e correções.
"São dois momentos isolados que, no entanto, se comunicam.
As obras escritas pelos bolsistas de composição
serão interpretadas pelos alunos de regência e, além
da orientação dos professores, também eles
poderão trocar sugestões", diz o diretor do
Festival de Inverno, Paulo Zuben, enquanto aponta para dois bolsistas.
"Eles já mostraram as obras à orquestra e agora
estão fazendo algumas alterações sugeridas
pelos músicos."
É a música
nascendo, o silêncio se transformando em sons. Processo que
não se limita à composição de novas
peças. No sábado, também no Preventório,
antigo prédio no Alto da Boa Vista que funcionava como sanatório
para tuberculosos e hoje é sede da parte pedagógica
do evento, o pianista Richard Bishop comandava o ensaio do Septeto
de Saint-Saëns à frente de um time de feras - as violinistas
Emi Resnick e Joanna Carolina Alvarado, o violista Daniel Marin,
o trompetista Fernando Dissenha, o contrabaixista Cristian Braica
e o violoncelista Johan Iersel, solista da Concertgebouw de Amsterdã.
Saint-Saëns foi uma figura curiosa. Estudou geologia, arqueologia,
botânica, matemática. Como compositor, era bastante
rígido em suas ideias. Criticou abertamente jovens que levavam
a música francesa a novos patamares, como Claude Debussy.
Mas sua música, mesmo sem grandes invenções,
demonstra um apuro técnico e um conhecimento das formas fora
do comum, aliados a interessante inventividade melódica.
No Septeto, sua referência é Cesar Franck e sua escrita
cíclica, em que um mesmo tema é recriado de diversas
maneiras ao longo da peça. É bom para nos fazer lembrar
que, no universo da composição francesa, tema deste
ano do festival, cabem muitos mundos. Cada um com maravilhas a serem
descobertas. |