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uma orquestra?
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Sua
empresa é uma orquestra?
Peter Drucker previu que as corporações do século
21 seriam como sinfônicas. Ele acertou. Uma visita aos bastidores
da Osesp mostra, quase 20 anos depois, o vigor dessa alegoria
por Fabio Altman
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| DESEMPENHO
Leitor de filósofos como Heidegger, conhecedor das
teorias de Albert Einstein e amante das sinfonias de Gustav
Mahler, Neschling não esconde seu tom mercurial com
a batuta em mãos. "Sou exigente como um cirurgião
diante de sua equipe. Se eles errarem, o paciente morre.
Se errarmos, a música morre" |
Na Osesp,
o nome do jogo é meritocracia, ainda que ela gere uma guerra
silenciosa e muita tensão. "Não, não",
Neschling meneia a cabeça. "Atenção,
porque os trompetes vieram antes da hora." Fernando Dissenha,
solista, parece exausto. Darcio Gianelli, trombonista, também.
Ambos são líderes de seus naipes. A bronca do maestro
só é interrompida pela retomada de Schumann, capaz
de tudo diluir. "Olhem para mim, por favor", volta a
esbravejar o regente, incorporando a mítica dureza de Arturo
Toscanini, o maior de todos, na grita e na arte. "Os segundos
violinos estão usando apenas meio arco, quero mais esforço."
O ensaio termina, mas não para Johannes Gramsch, alemão
de 40 anos, e Irem Bozkurt-Gramsch, turca de 30. Eles são
casados. Johannes é o solista A de violoncelo, o terceiro
nome na hierarquia da orquestra, depois do maestro e do spalla.
Irem é violinista convidada. Permanecem no palco, passando
as cordas, esticando os arcos, repetindo alguns movimentos, trocando
palavras no idioma de Goethe. Aproximam-se e distanciam-se um
do outro como em um balé flamenco. "Não me
incomoda o tom do maestro", diz Johannes. "O processo
no palco vive da tensão positiva, é ela que nos
motiva." Irem ecoa a opinião do marido. "Há
expectativas dos dois lados - o regente exige muito de nós,
mas nós também exigimos dele", afirma. A brasileira
Soraya Landim, de 29 anos, também violinista, parece levar
as intempéries de Neschling na flauta. "Para ele,
nunca está bom, e é justamente por isso que a Osesp
tem a qualidade reverenciada", diz ela. "Achar que não
é preciso melhorar é o início do fim. O rigor
do Neschling é como o de um pai ansioso por ver seu filho
crescer." Com a palavra, o pai da moça, Jayme Landim,
luthier renomado, ex-gerente de qualidade da Siemens: "O
erro, em empresas de ponta e em orquestras como a Osesp, provoca
estragos. Imagine se, na recente excursão à Europa,
o grupo de Neschling tivesse cometido uma gafe: o mundo inteiro
saberia na hora".

Não
há como fugir da liderança do maestro como símbolo
de poder, o personagem magnético surgido na segunda metade
do século 18 com o romantismo musical das sinfonias de
Beethoven e, logo em seguida, com as óperas de Verdi. O
regente é filho dos benefícios econômicos
da Revolução Industrial, que em alguns anos estabelecera
uma burguesia mais forte, urbana e afeita a apreciar a arte. Sempre
que se tenta pôr na balança orquestras e empresas,
a figura do regente é a primeira a ser escrutada.

Uma das mais
fascinantes experiências para a compreensão do maestro
como CEO e da orquestra como empresa surgiu nos Estados Unidos,
nos anos 70, com a Orquestra de Câmara Orpheus, de Nova
York, com 27 músicos - e não os 100 ou 200 de uma
sinfônica. A principal característica da Orpheus:
ela não tem maestro. No lugar da tradicional presença
do regente, desenvolveu-se um sistema de liderança colaborativa
pelo qual os músicos se revezam no comando dos concertos
- um de cada vez, de modo rotativo, de acordo com seus conhecimentos
e experiência prévia. O nascimento do grupo, ao incentivar
a gestão coletiva, inspirou artigos acadêmicos de
especialistas atentos às idéias de Drucker. Rosabeth
Moss Kanter, professora da Harvard Business School, com um ouvido
na Orpheus e outro na história da administração,
escreveu: "As novas estruturas devem ser informais e flexíveis:
menos hierarquia, mais oportunidades para os profissionais desempenharem
múltiplos papéis. Muitas vezes você pode ser
o líder de uma equipe, em outras, um dos membros dela.
Seja flexível também em relação a
cargos e na hora de transferir as pessoas de um projeto para outro.
Pense mais no projeto do que em postos fixos". Segundo Harvey
Seifter, um dos fundadores da orquestra sem maestro, ela ajuda
a espelhar outro modelo corporativo, afeito ao fim das barreiras
imposto pela internet. No início, a caótica democracia
resultou em ensaios confusos e egos inflados. O tempo, porém,
mostrou que brotava uma grande idéia. São oito os
princípios de liderança alimentados pela Orpheus:
1 - Ponha
o poder nas mãos das pessoas que realmente fazem o trabalho.
2 - Encoraje
as responsabilidades individuais em nome da qualidade dos produtos.
3 - Deixe
os papéis de cada profissional mais claros.
4 - Forje
uma equipe horizontal.
5 - Divida
e promova a rotatividade das lideranças.
6 - Aprenda
a ouvir, aprenda a dizer.
7 - Busque
o consenso - e construa sistemas criativos de modo a favorecê-lo.
8 - Dedique-se
apaixonadamente a sua missão.
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